Mercado de Carbono ganha espaço na mandiocultura

A última palestra técnica da FIMAN 2025, na tarde desta quinta-feira (27), trouxe um tema que vem ganhando força dentro e fora do agronegócio – o mercado de carbono. Convidado pelo presidente da Feira, Ivo Pierin Júnior, o especialista Paulino Cesar Gaspar apresentou ao público uma visão clara e objetiva sobre como produtores e agroindústrias podem se beneficiar economicamente da mensuração e comercialização de créditos de carbono.

Gaspar iniciou explicando, de forma didática, o que é o mercado de carbono e como ele funciona, ressaltando que o tema ainda gera dúvidas e desconfiança entre produtores brasileiros. “A ideia é mostrar que existe, sim, um potencial real de geração de receita para quem comprova seu estoque de carbono e suas emissões”, afirmou.

A apresentação destacou técnicas e tecnologias utilizadas atualmente para medir, comprovar e reportar o carbono estocado, não apenas em florestas, mas também no solo. O palestrante enfatizou que o uso correto dessas ferramentas permite não apenas contabilizar emissões, mas gerar créditos negociáveis no mercado internacional, de forma auditável e transparente.

Segundo Gaspar, a adoção desses mecanismos pode apoiar toda a cadeia produtiva, inclusive a agroindústria, que pode incorporar esses dados em relatórios de sustentabilidade como GRI ou relatórios de SA, reforçando compromissos ambientais cada vez mais exigidos pelo mercado global.

Outro ponto forte da palestra foi a importância da conformidade legal. Gaspar alertou que propriedades rurais precisam comprovar regularidade no CAR (Cadastro Ambiental Rural) e atender normas internacionais, como o Regulamento de Desmatamento da União Europeia (EUDR) e o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), além do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, em fase de implementação. “É um ganha-ganha: o produtor se regulariza, a agroindústria melhora sua rastreabilidade e todos ganham competitividade”, destacou.

Questionado sobre a aplicação do mercado de carbono na mandiocultura, o especialista foi categórico: “Funciona, sim. O mercado ainda é iniciante no setor, mas é totalmente viável, fácil de auditar e rentável, especialmente para quem busca novas fontes de receita.”

Com uma fala esclarecedora e prática, Paulino Cesar Gaspar encerrou a programação do dia trazendo uma mensagem otimista: o carbono pode deixar de ser apenas um tema regulatório e se tornar uma oportunidade concreta de inovação e renda para o produtor de mandioca.

Texto: Básica Comunicações / Keila Metz

Fotos: Frederico Junglaus