A tarde desta quinta-feira na FIMAN 2025 foi marcada por mais uma palestra provocativa e necessária. Sob o tema “Barreiras Físicas e Químicas do Solo para Mandioca: Diagnóstico e Superação”, o especialista Luiz Gomes Barbosa Júnior trouxe à plateia uma reflexão direta e contundente: grande parte dos produtores ainda insiste em plantar mandioca sem realizar a análise de solo; um erro simples, barato de evitar e que pode comprometer todo o ciclo produtivo.
Logo no início, o diretor executivo da Petra Fertilizantes não escondeu sua frustração com a prática recorrente. “Estou trazendo um pouquinho da minha indignação com o produtor por não fazer análise de solo. Por plantar às cegas, sem saber onde está plantando”, afirmou. Segundo ele, muitos agricultores se arriscam em um processo longo, um ciclo que pode durar até dois anos, confiando apenas na experiência ou no costume, sem respaldo técnico para saber se o solo realmente apresenta condições ideais.
Durante a palestra, ele fez questão de reforçar que a análise de solo, além de acessível, é decisiva para o sucesso da lavoura. “É total a importância, porque muitas vezes você perde o trabalho de dois anos por um mero detalhe, e um detalhe barato”, destacou.

Luiz recorreu a uma analogia simples, mas de grande impacto didático, para explicar o risco de plantar sem diagnóstico: “É como se você pegasse um carro sem saber se tem combustível, sem saber se o farol está acendendo e sem GPS, e se aventurasse a ir daqui para São Paulo. Você não sabe em quanto tempo o carro vai parar.” Para ele, a falta de análise cria justamente essa sensação de navegar às cegas e com grandes chances de prejuízo.
Por outro lado, reforçou que quando o produtor faz o básico corretamente, os resultados tendem a aparecer. “Quando você planta certo, aquilo que está no seu controle está resolvido”, afirmou. Embora fatores externos como clima ou pragas ainda possam interferir, Luiz lembrou que os elementos que dependem do manejo podem e devem ser conduzidos com responsabilidade técnica.
A palestra, repleta de exemplos práticos e linguagem direta, reforçou a importância crescente da análise de solo como ferramenta fundamental para produtividade, economia e sustentabilidade na mandiocultura. Em um evento voltado à inovação e ao fortalecimento da cadeia produtiva, a mensagem de Luiz ecoou entre os participantes: antes de buscar tecnologias de ponta, é preciso fazer o básico – e fazê-lo bem.
Texto: Básica Comunicações / Keila Metz
Fotos: Frederico Junglaus

