Palestra sobre manejo integrado de mosca-branca e mandarová na cultura da mandioca inaugura a programação técnica da FIMAN 2025

A programação técnica da FIMAN 2025 começou com uma apresentação fundamental para produtores, técnicos e profissionais da cadeia da mandioca. O pesquisador da Embrapa, Rudiney Ringenberg, ministrou a palestra “Manejo Integrado de Mosca-Branca e Mandarová na Cultura da Mandioca”, trazendo informações práticas, alertas importantes e orientações estratégicas para reduzir perdas e aumentar a eficiência no campo.

Logo no início, Ringenberg destacou a importância de compreender o comportamento das lagartas do mandarová ao longo dos diferentes ínstares — fases de desenvolvimento — e como isso impacta diretamente o manejo. Segundo ele, cada lagarta consome entre 12 e 13 folhas ao longo do ciclo, concentrando 70% a 80% do consumo no quinto ínstar, quando já está maior e mais voraz. Em plantas jovens, com poucas folhas, esse ataque pode comprometer de forma severa o desenvolvimento, especialmente no período crucial de formação das raízes de armazenamento.

O pesquisador alertou que a desfolha em plantas com baixa fertilidade de solo pode resultar em perdas de até 45% no potencial produtivo, número que pode aumentar ainda mais com sucessivas desfolhas. Em termos econômicos, considerando o custo de produção de um alqueire, o prejuízo pode facilmente ultrapassar R$ 40 mil, reforçando a necessidade de estratégias eficientes de manejo.

Ringenberg enfatizou que a base do Manejo Integrado de Pragas é o monitoramento constante. O acompanhamento da população de lagartas e da predominância de ínstares permite ao produtor tomar decisões assertivas sobre quando e como intervir, evitando tanto o dano econômico quanto o uso desnecessário — e prejudicial — de defensivos químicos. Ele destacou ferramentas como armadilhas luminosas, avaliação de folhas com ovos e lagartas, além da identificação precisa dos estágios de desenvolvimento.

A escolha da estratégia de controle depende diretamente desse diagnóstico. Nos estágios iniciais, são recomendados parasitóides, como Trichogramma, e o uso de agentes biológicos como Bacillus thuringiensis e vírus específicos. Para lagartas maiores, o pesquisador reforçou que o controle biológico perde eficiência e, em situações extremas, pode ser necessário recorrer aos inseticidas de choque — medida que deve ser evitada sempre que possível devido ao risco de desequilíbrio ecológico e aumento de outras pragas, como a própria mosca-branca.

Ao final, Rudiney Ringenberg reforçou que o sucesso do manejo depende de disciplina no monitoramento, intervenções semanais e uso adequado das ferramentas disponíveis. “Não existe manejo bem-sucedido sem acompanhamento frequente. Dez, quinze dias sem olhar a lavoura já podem ser suficientes para perder o ponto ideal de controle”, alertou.

A palestra marcou o início dos debates técnicos da FIMAN 2025, reforçando o papel do evento como referência internacional em conhecimento, inovação e fortalecimento da mandiocultura.

Texto: Básica Comunicações / Keila Metz

Fotos: Frederico Junglaus